Maio / Junho 2010
Há seis meses no cargo, Gabriela Canavilhas, pianista de formação, ex-directora da Orquestra Metropolitana de Lisboa e ex-Delegada Regional de Cultura dos Açores, parece ter uma visão mais pragmática do sector cultural, que contrasta com os anteriores ocupantes da pasta. Numa entrevista que procura perceber a possibilidade de uma política cultural num contexto económico difícil, a ministra, fala da necessidade de construção de uma rede efectiva de cine-teatros, da língua enquanto factor de afirmação internacional, da “alma de artista” de Joe Berardo, da inoperância da administração cessante do OPART e do S. Carlos, da cautela na apreciação dos números do impacto económico da cultura, da burocracia da administração pública, das mudanças que quer fazer e para as quais quer contar com o sector cultural e, ainda, de um cargo que não vê senão como uma extensão do seu trabalho enquanto artista. Diz ser a destinatária última das politicas que pratica.
A 29 de Maio passam 97 anos sobre a estreia de Sagração da Primavera, os trinta e três minutos mais controversos da história da dança do início do século XX e que fizeram dos Ballets Russes uma companhia pioneira da modernidade coreográfica. Criada por Vaslav Nijinsky para uma partitura de Stravinsky, ficou como um marco coreográfico que fascina e assusta os coreógrafos independentemente das suas nacionalidades, estéticas ou idades. A 29 de Maio de 2010 estreiam-se duas versões, em português: Olga Roriz coreografa para a sua companhia e estreia no Centro Cultural de Belém, e o espanhol Cayetano Soto cria para a Companhia Nacional de Bailado, com estreia no Teatro Municipal de Faro. A oportunidade está criada para uma viagem marginal sobre a obra, através de documentos visuais que ilustram bem o seu potencial de atracção.
Alkantara 2010: Como pensar, criticamente, a programação de um festival? As pistas de leitura que lhe damos abrem com uma reflexão sobre o sistema de festivais europeu, e o impacto das redes no desenvolvimento das programações individuais que incluem. De entre outros, os nomes que escolhemos destacar, traçamos os perfis do português Miguel Loureiro e da companhia holandesa Dood Paard. Na dança os casos de Luís Guerra, coreógrafo português que estreia uma peça de longa duração no festival, e Thomas Hauert, suíço residente em Bruxelas. Os quatro são exemplos da diversidade de condições de criação, de modelos de organização e emanam de realidades culturais contrastantes, e cruzam-se no mesmo festival que caminhou, edição após a outra, para uma ideia de criação desterritorializada.
Com este número oferecemos a OBSCENA #11/12 (número especial dedicado à edição do Festival Alkantara 2008) e, por apenas mais 1€ recebe ainda o Anuário Team Network.
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Dividimos esta edição em seis palavras-chave: Reacção, Matéria, Fixar, Vício, Tempo e Utopia. Cada uma delas lança pistas para ligações subtis entre os temas nelas tratados. Algumas reunem textos sobre o mesmo tema, outras sobre uma mesma área, outras ainda sobre uma ideia. Todas, mais do que limitarem a leitura, sugerem uma convivência mais ampla entre referências e sublinham a nossa responsabilidade em saber ler para lá das etiquetas.
Já está à venda por apenas 4,20€ a 21ª edição da OBSCENA, onde pode encontrar entrevistas com criadores tão diversos como Orlan, nome maior da performance, conhecida pelas suas transformações faciais, Jean-Luc Godard, realizador francês que recorda o impacto da sua ida à Palestina nos anos 70 ou Walid Raad, artista visual que, a partir da história libanesa construiu um dos mais curiosos discursos sobre a fronteira entre a ficção e a realidade. Mas também pode ficar a conhecer melhor os olhares de Clara Andermatt, coreógrafa, e Cristina Carvalhal, encenadora, sobre as formas que a arte toma, bem como Hélder Seabra, Joana Barrios, Inês Jacques, John Romão, Mathieu Poulain e Raquel Freire, criadores que reivindicam um espaço próprio para os seus discursos.



















































































